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| Visão da cidade - Bairro Tricolin |
“Sou da terra contestada, por isso contesto?
Não, nem tudo!”
Zenici Dreher Herbst
Escrever sobre esta amada e hospitaleira cidade é um orgulho considerando tantas histórias já descritas e detalhadas por grandiosos historiadores os quais respeito muito, todavia procura-se resgatar questões relacionadas à origem, à formação, características e atividades econômicas da população canoinhense, para melhor compreensão das questões sociais na contemporaneidade. Sou da terra contestada, por isso contesto? Não, nem tudo! O olhar crítico e reflexivo é construído neste processo de transformação da realidade e de construção e desconstrução de paradigmas.
Com relação à população formada por tropeiros gaúchos, paulistas e ervateiros paranaenses interessados na extração da erva-mate, que fixaram a rota conhecida como Estrada da Mata e habitavam o interior de Canoinhas, quando em 1888, Francisco de Paula Pereira teria desembarcado nas margens do rio Canoinhas, perto da foz do rio Água Verde e fundado o povoado de Santa Cruz de Canoinhas em 03 de maio de 1888. Em 1902 o lugar foi elevado a distrito judiciário de Curitibanos, embora se encontrasse em área contestada pelo Paraná e Santa Catarina, que disputavam a posse do território. Os interesses pelo domínio do território levaram o governo catarinense à criação do município de Santa Cruz de Canoinhas, o que ocorreu em 12 de setembro de 1911, através da lei 907.
Nos primeiros anos de criação, o município foi envolvido na Guerra do Contestado, que aconteceu entre 1912 e 1916, gerada por fatores sociais, políticos, econômicos e messiânicos, expressão de uma grave crise social que se tornou uma guerra santa devido ao envolvimento dos dois Monges João Maria e do Monge José Maria, que eram conhecidos pelos trabalhos sociais e espirituais, e que pregavam e exerciam grande influência religiosa na região contestada.
Destarte, não foi por acaso, foi quando o governo brasileiro autorizou a construção de uma estrada de ferro ligando os Estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, desapropriou uma faixa de terra de aproximadamente 30 km de largura, e com a expulsão dos posseiros destas terras, o desemprego e reforçado pelo discurso messiânico, os rebeldes passaram a associar os problemas à República o que incomodou os coronéis locais e de forma autoritária e repressiva os governos do Paraná e Santa Catarina começaram a combater os rebeldes. Fala-se de redutos, orações, consumo de cachaça, fanatismo religioso, mortes, fala-se de caboclos, jagunços, rebeldes, homem forte, que contestaram, lutaram e persistiram, fala-se de coronelismo, autoritarismo, massacre, repressão, nesse sentido, cabe refletir os significados destes termos, as circunstâncias em que o município começou, onde encontrou forças para dar continuidade e de que maneira estas características e valores refletem atualmente na sociedade.
Após os desgastes das agitações decorrentes deste conflito, em 1923, em pleno período áureo de sua economia, pelo extrativismo vegetal da erva-mate e da madeira, o nome Santa Cruz de Canoinhas foi alterado para Ouro Verde pela Lei Estadual nº 1424, em referência à principal riqueza do município, a erva-mate. Porém, divergências políticas e religiosas locais determinaram que em 1930, através do Decreto Estadual nº 1 de 1930, este nome fosse substituído e o município passou à denominação de Canoinhas, como era conhecido anteriormente.
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| Estrada de Ferro - Distrito de Marcílio Dias |
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| Sítio na Localidade do Caraguatá |
Há os que defendem que o nome Canoinhas vem das pequenas canoas que transportavam o progresso do município, no entanto, naquele tempo o meio predominante de transporte era o de tropas, e também, a versão dos que explicam que a referência é ao rio homônimo que nasce na Serra do Espigão, passa por Canoinhas e deságua no Rio Negro, por isso, o nome Canoinhas para diferenciar do rio Canoas, localizado nas proximidades de Lages, argumenta-se que é a mais provável.
O município de Canoinhas localiza-se no planalto norte de Santa Catarina e faz divisa com o Estado do Paraná e com os municípios de Bela Vista do Toldo, Irineópolis, Timbó Grande, Major Vieira e Três Barras. É constituído culturalmente por uma heterogeneidade de etnias, porém, é dominante o componente cultural gerado pelas imigrações germânicas. Com o passar do tempo e com o aumento das correntes de migração interna, Canoinhas acolheu espanhóis, poloneses, italianos, ucranianos, japoneses e outros.
Atualmente em um território de 1.140,394 km2, o município abriga 52.765 habitantes, e com população estimada em 2015 de 54.188 habitantes, e por volta de 39.690 eleitores, gentílico canoinhense, apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano - IDH 0,757, entendido como um nível de desenvolvimento equilibrado, localizado a 380 km de Florianópolis e 186 km de Joinville. A população residente é formada por aproximadamente 49,36% homens e 50,64% mulheres, totalizando 87,71% que se declara alfabetizada, com relação à religião 81,88% se declara de religião católica apostólica romana, 15,67% se declara de religião evangélica e 1,21% de religião espírita, nota-se a cultura tradicional de eventos religiosos no município.
O Planalto Norte Catarinense é uma região tradicionalmente fria e o clima do município de Canoinhas, classifica-se como mesotérmico úmido, sem estação seca, com verões frescos e geadas frequentes no inverno, geralmente no período de junho até agosto. Em alguns invernos a cidade já foi datada com as médias mais baixas do país com registros de temperaturas negativas nos termômetros da cidade, porém, a média de temperatura em Canoinhas é de 6,1°C conforme e registrou neve histórica em julho de 2013.
Com relação aos rendimentos, considerando o Produto Interno Bruto (PIB) per capita o qual mede quanto, do total produzido, caberia a cada canoinhense se todos tivessem partes iguais, em 2013 foi de R$: 24.847,11, e o valor apresentado do rendimento mensal, per capita, dos domicílios da região denominada rural é de R$: 366,00 e dos domicílios denominados da região urbana é de R$: 542,00, sendo que, o rendimento domiciliar totaliza uma média de R$: 1.587,64 para região rural e R$: 2.458,49 para região urbana, uma diferença significativa de rendimentos e inquietante com relação às famílias que residem na região interiorana e dependem da agricultura e do trabalho no campo para sobrevivência.
A vegetação predominante é a de araucária ou pinheiro brasileiro, que está em extinção devido desflorestamento, pois grande parte dessa espécie foi dizimada pelo extrativismo florestal, entretanto, além da madeira, o pinheiro é utilizado para obtenção do pinhão que é a semente desta árvore e são consumidos como alimento, e nos sub-bosques predomina a erva-mate, historicamente responsável por uma das maiores riquezas econômica do Município e principal fonte de renda até o começo da década de 1970, e, as folhas desta planta são utilizadas para culinária, fabricação de chás e do famoso chimarrão ou mate.
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| Sítio na localidade do Caraguatá |
No que se refere à extração vegetal, no município de Canoinhas, destaca-se a extração de madeiras para lenha e erva-mate cancheada, mesmo que, atualmente, as ervateiras dividem espaço em importância econômica com outros produtos agrícolas e com a indústria de beneficiamento de papel e celulose.
Com relação à silvicultura, destacam-se os reflorestamentos para a produção da lenha, com a produção de eucalipto e pinus, e da mesma espécie madeira em tora, a maior parte para papel e celulose e também o carvão vegetal.
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| Localidade do Parado |
Com relação à pecuária municipal, destaca-se: atividades relacionadas à suinocultura, bovinocultura, ovinocultura, eqüinocultura, caprinocultura, bubalinocultura, galináceos, piscicultura, e os derivados em destaque, leite de vaca, ovos, lã e mel. Na produção agrícola municipal de lavoura permanente destaca-se a erva-mate, maçã, pêra, pêssego e uva, já na produção agrícola de lavoura temporária o município de Canoinhas destaca-se na produção de soja, milho, fumo e feijão, além de tomate, batata, cebola, melancia, trigo e aveia, alternando a produção conforme as estações do ano.
Dentre as principais atividades econômicas aproximadamente 40% estão relacionadas à madeira para a fabricação de lâminas, chapas compensadas e aglomeradas, portas, janelas e papel, 22% à atividade agrícola no cultivo de fumo, milho, soja, feijão e outros, 20% no ramo comercial, setor de móveis, eletrodomésticos e materiais de construção, 3% na atividade frigorífica através do abate de suínos e bovinos, preparação de carnes e seus subprodutos, 2% na atividade cerâmica por meio da fabricação de artefatos para a construção civil, 2% no beneficiamento da erva-mate e 11% atividades em outros serviços relacionados ao transporte de cargas, hotéis, restaurantes, bares, dentre outros.
Com relação aos aspectos gerais com abrangência rural e urbana, e que interfere diretamente no modo de vida e nos indicadores sociais e de saúde dos munícipes, um destaque para o abastecimento de água, que provém do rio Canoinhas, consumida pelos cidadãos canoinhenses, considerando que em 2010 o município possuía 12.336 domicílios ligados a rede geral de abastecimento de água, o que representava 76,22% do total de domicílios existentes em Canoinhas. Sendo assim, 21,77% dos domicílios utilizavam água de poço ou nascente na propriedade e os demais de poço ou nascente fora da propriedade, carro-pipa, água da chuva, rios, açudes, dentre outros.
Nesse sentido, pode-se ter uma noção do modo de vida dos canoinhenses, suas origens e as principais atividades econômicas, um povo trabalhador que contribui diretamente para o desenvolvimento do município, um povo que abraça os deveres e é possuidor de direitos. Um povo que faz a diferença na história de Canoinhas!
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| Capela Santa Cruz |
Canoinhas/SC, junho/2016
Zenici Dreher Herbst
Assistente Social
Fontes:
http://www.pmc.sc.gov.br/cms/pagina/ver/codMapaItem/25959 Fonte: Prof. Fernando Tokarski 2016.
HTTP://CIRAM.EPAGRI.SC.GOV.BR/INDEX.PHP?OPTION=COM_CONTENT&VIEW=ARTICLE&ID=140&ITEMID=364
HTTP://JMAIS.COM.BR/CANOINHAS-REGISTRA-TRES-GRAUS-NEGATIVOS-NA-MADRUGADA-MAIS-FRIA-DO-ANO/
HTTP://WWW.CIDADES.IBGE.GOV.BR/XTRAS/HOME.PHP
HTTPS://ISSUU.COM/ISABELINACIOSTAFIN/DOCS/100_ANOS_CANOINHAS
CADERNO ESPECIAL CORREIO DO NORTE: 100 ANOS DO CONTESTADO: SANTA CATARINA NUNCA MAIS FOI A MESMA 2012.






É um comentário teste
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